Sobre tolerância, comunicação e peixes…

O conceito da “Lei da Tolerância” do ecólogo Victor Ernest Shelford,  abordava que “cada espécie apresenta amplitudes de tolerância aos fatores ecológicos, com um valor mínimo e um máximo dentro das quais consegue existir”. Ele concluiu que “entre os limites mínimo e máximo de valores que compõem a amplitude de tolerância para cada fator ambiental, há uma faixa ótima na qual o desempenho biológico dos indivíduos da espécie é máximo. Fora desta faixa, estes estão sujeitos a estresse. Abaixo ou acima dos valores englobados pela amplitude de tolerância, não sobrevivem”.

 

Existem duas espécies de peixes que ilustram muito bem o princípio da tolerância e o que acontece com ambas perante variações de temperatura:

 

  • O peixe Trematomus – vive no ártico, em águas geladas, e não suporta variações térmicas maiores de quatro graus centígrados. Ele se dá bem entre – 2º C e + 2º C. Fora dessa faixa, para mais ou para menos, ele morre. Ele éestenotérmico (esteno = estreito).
  • O peixe Cyprinodon, – habita lagos existentes em alguns desertos, cuja temperatura varia entre 10º C e 40º C, enfrenta essa variação sem alterar sua biologia e seu comportamento. Este peixe se enquadra na termologia de euritérmico (euri=largo).

 

Ainda falando de peixes, há duas espécies mais conhecidas, tais como o salmão, que é um “eurialino”, porque suporta grandes variações de sal da água, e por isso consegue sobreviver tanto no mar como na água doce. O lambari por sua vez é um “estenoalino”, pois só consegue viver em água doce.

 

Transpondo estas questões da biologia para os ambientes corporativos e para a dica da semana sobre “capacidade de adaptação” comoaliado da comunicação assertiva, valem algumas reflexões. Certo é que às vezes alguns ambientes “esquentam”, pessoas se exaltam, dizem o que não devem e depois arrependem-se. Muitos, pela sua própria ecologia, não conseguem se adaptar ao “calor das discussões” e como estão fora da sua faixa de tolerância, se estressam.

Há também alguns “ambientes frios”, onde as pessoas não se comunicam, há baixa emotividade nas relações e a comunicação se estabelece por meio de olhares “gélidos” ou no máximo relações “mornas”. Algumas pessoas também não conseguem sobreviver a este tipo de relações interpessoais.

Qual seria então a dica para o comunicador assertivo?  Seja euricomunicador.

 

O comunicador assertivo é aquele que possui atitude mental (mindset) preparado para encarar as mais variadas situações nos mais diversos cenários da vida, com amplitude “euri” de tolerância.   Ser euricomunicador passa necessariamente por um exercício contínuo de escuta, inteligência emocional, empatia e também firmeza de propósitos pessoais e profissionais.

 

Exercite-se e sucesso!

 

RANDIMARTE, A.L.; SANTOS, D.Y.A. Ocorrência e distribuição dos seres vivos como resultado das pressões ambientais. In: LOPES, S.G.B.C.; VISCONTI, M.A. (Coords). Diversidade biológica, história da vida na Terra e Bioenergética. São Paulo: USP/Univesp/Edusp, 2014.

MUSSAK, Eugenio. Metacompetência. Editora gente, 2003

DWECK, Carol. Mindset. Editora Objetiva, 2017